"Ás de Ouros" na Amazon e live no Facebook

Oi, gente!

Passei para avisar que "Ás de Ouros", segundo livro da trilogia Operação BlackJack, já foi enviado para a Amazon e espero que seja liberado ainda hoje!



Assim que eu tiver o link, atualizo aqui no blog! :D

E a ansiedade, fica como?

Fica fazendo live no "Loucuras de uma leitora", no Facebook, e lendo um trechinho do livro!!! Uhuuuu

Vamos lá conversar?

É hoje, às 15 horas, nessa página: https://www.facebook.com/LoucurasdeumaLeitoraa/

O casamento do conde

*** Capítulo bônus com o casamento do conde de Letzburg ***


Depois dos percalços que viveram em "O conde de Letzburg", finalmente Ludwig e Beatrice vão casar!

Descubra agora no capítulo bônus, criado especialmente para o grupo de discussão do livro no WhatsApp. Obrigada, Aline, Sophia, Fernanda, Olivia, Regiane, Selma, Cris, Gabriela, Elizabeth, Aline!


Atenção! Conteúdo impróprio para menores de 18 anos.


*** O casamento do conde ***


Colinas de Letz, janeiro de 1816.


Havia muito tempo desde a última vez que Beatrice visitara as Colinas e o frio tornava o trajeto alguma coisa entre maravilhoso e acolhedor. Ela apreciava aquele clima nevado que a remetia direto para o calor dos beijos de Ludwig. Abraçando a si mesma, acariciou o aquecido casaco de peles que o futuro marido a presenteara. Depois de montar um enxoval de princesa, como Anne disse, recheado de peças francesas, inglesas e austríacas, Beatrice mal podia esperar para chegar em Letz e, finalmente, ser a Condessa do Inferno.


A jovem sabia que não haveria uma grande celebração. As Colinas ficavam isoladas demais para que qualquer um se aventurasse a ir, especialmente no inverno, quando o branco do gelo fazia o lugar transpirar paz.


Tendo passado a noite em uma hospedaria, reformada especialmente para recebê-la e decorada com velas e flores, novas roupas de cama, colchas e uma tina maior do que o quarto de sua avó duquesa, instalada ao lado de uma pequena lareira — igualmente nova —, que garantiria a temperatura ideal da água, Beatrice só queria abraçar o futuro marido.


— O conde não economizou, minha senhora...


— Ainda sou uma senhorita! — Beatrice sorriu, maneando a cabeça para Anne, que seguiu dizendo como se não tivesse ouvido:


— Acho que a está mimando demais... — Anne sorriu e a futura condessa, que mal podia conter a felicidade, suspirou.


— É verdade, Anne? Isto está acontecendo de verdade?


— Está, senhorita. — Sorriu.


— Quero dizer, ele realmente quer casar comigo? Porque esta cena lembra muito o que houve no ano passado...


Anne deu alguns tapinhas na mão de Beatrice e tentou acalmar o coração de sua senhora.


— Ele a ama, senhorita, desde que a viu pela primeira vez.


Beatrice suspirou e o castelo de pedras surgiu na paisagem. Por um instante, a jovem prendeu o ar. Havia flores enfeitando toda a ponte que levava à porta, onde o grupo de criados e um pequeno contingente do Exército Vermelho de Letz, todos enfileirados a aguardavam. Ela desceu e passou por entre eles, sentindo a emoção ficar presa em sua garganta. Os soldados se ajoelharam e os criados a reverenciaram com suaves acenos de cabeça. Aquela era a cena que esperava ver da primeira vez que pisou em Letz, a verdadeira recepção de uma condessa.


Com a mão, espantou o pensamento e continuou caminhando, sorrindo e cumprimentando aqueles que conhecia. Perto do fim, Juliette e Otto a acolheram com um abraço paternal — do tipo que nem mesmo seus pais jamais lhe deram.


Os olhos de Beatrice foram atraídos para Ludwig, com seus cabelos loiros presos em uma fita, e os olhos verdes brilhando mais que a esmeralda no dedo dela. Parado à sua frente, encararam-se por uns instantes, antes de Beatrice levar a mão aos cabelos do conde e soltá-los. Depois, afrouxou a gravata dele, percebendo que o futuro marido fechara os olhos.


— Eu o amo, Conde do Inferno, exatamente como é.


Ele sorriu e, quando voltou a abrir os olhos, puxou Beatrice e beijou-a com todo o desejo acumulado desde a última vez que a vira.


— Você demorou — cochichou contra os lábios dela.


— Também acho — respondeu no mesmo tom, sorrindo.


Então, o casal se afastou e o conde cumprimentou Anne:


— Como vai, senhorita Becker? Seja bem-vinda de volta a Letzburg. Tenho certeza de que meu criado pessoal ficará muito feliz em vê-la — comentou, apontando com a cabeça para Rickard.


A jovem deu um risinho tímido para o rapaz e apressou-se para cumprimentar Juliette, que a abraçou calorosamente.


Segurando a mão da futura esposa, o conde guiou-a para dentro da casa.


— Amanhã, Beatrice, o padre virá celebrar nosso casamento — se aproximou do ouvido dela para cochichar: — e eu estou ficando louco de tanto esperar.


Ela sentiu as bochechas esquentarem e imaginou que tivesse corado.


— Só mais um dia, Ludwig, e eu o terei por completo — falou e, então, cochichou, lembrando de algumas indecências que ele havia comentado: —, mas é possível mesmo fazer todas aquelas coisas no quarto?


— Oh, minha querida — ele gargalhou —, não faremos apenas no quarto. Quero tomá-la em absolutamente todos os cômodos desse lugar, inclusive naqueles em que eu mesmo nunca entrei.


Os criados fingiam-se de surdos, mas Otto apressou-se em dispensá-los:


— Ora, mas vamos trabalhar porque há muito o que fazer em Letz! Vamos! Vamos! — Abanou com as mãos, espantando-os.


Ludwig sorriu e, então, puxou Beatrice para mais um beijo.


***


Naquela noite — a maior de toda a sua vida, segundo Ludwig —, eles jantaram sozinhos na grande sala de refeições e o conde se ocupou de ouvir sobre as aventuras da esposa em busca das roupas perfeitas. Depois, ele a levou até a porta dos aposentos em que a dama se instalaria e beijou sua testa. Não resistiria a qualquer coisa além disso, especialmente tão próximo de uma cama.


Assim que o dia clareou, carruagens começaram a chegar e enfileirar-se por toda a estrada de Letz. Franceses, ingleses, prussianos e outros de tantas nacionalidades que a jovem nem sabia que existiam, nobres de todos os lugares haviam sido convidados pelo temido Conde Vermelho para — finalmente — conhecer as Colinas de Letz.


Da janela, Beatrice acompanhava o movimento e Anne sorria, certa de que todos os sonhos de sua senhora seriam realizados naquela noite.


— Mas quem é essa gente toda, Anne?


— Seus convidados, condessa.


— Eu-eu convidei poucas pessoas da Inglaterra e nem acho que elas vêm.


Uma batida na porta a tirou do estupor. Anne apressou-se para atendê-la.


— Otto? — perguntou Beatrice.


— Os convidados estão sendo acomodados na ala de visitantes. Teremos um grande banquete de almoço no jardim coberto. A senhorita deseja mais alguma coisa?


— Onde está Ludwig?


— Na Lagoa do Abismo com o Exército Vermelho.


Ela se assustou.


— Outra guerra?


Ele riu e fez um sinal negativo com a mão.


— Não, não, senhora... Eles vão guardar a fronteira depois do casamento e ele os está instruindo. Voltará a tempo de estar apresentável para o banquete. Aquele cabelo dele... Por Deus!


Beatrice sorriu e olhou de novo para a janela, a tempo de ver Ludwig entrar pela porta lateral.


— Otto?


— Sim, senhora?


— A passagem para a portinhola... Ainda está aberta?


Ele anuiu e ela entrou. Surpreenderia o conde no pequeno corredor escuro.


— De fato, não cabe nem um Nibelungo aqui — cochichou, aguçando a audição para acompanhar os passos pesados de Ludwig.


Ouviu um barulho abafado, como uma batida:


— Maldição! — Ludwig praguejou.


Ela riu delicadamente e cobriu os lábios com as mãos. De repente, o corredor ficou em silêncio e Beatrice prendeu a respiração. Será que ele havia saído em alguma outra sala?


A jovem começou a descer segurando as saias até que esbarrou em uma muralha. Empurrada contra a parede, soltou um gritinho e teve a boca coberta por uma mão áspera. Depois, sentiu o calor do corpo de Ludwig a imprensando e o hálito de cerveja preencher o ambiente escuro.


— Esse perfume não me engana, condessa. Senti seu cheiro degraus abaixo.


O conde soltou a boca da noiva e sorriu. O lugar era apertado, apertado demais e ficou difícil se mexer com aquele homem enorme a contendo.


— Ludwig, eu-eu...


O conde aproximou os lábios dela e a lambeu, da clavícula exposta até a ponta da orelha. Fazendo o caminho inverso, deixou diversos beijos, ocupando-se de conter as mãos da futura esposa presas acima da cabeça.


Passeando pela lateral do corpo de Beatrice, acariciou um dos seios dela por cima do vestido sem interromper o contato com o pescoço da dama.


— Algumas horas — ele cochichou, mais para si mesmo do que para ela. — Eu só precisava esperar mais algumas horas... — Inspirou profundamente junto ao pescoço dela. — Mas esse seu cheiro é afrodisíaco...


De olhos fechados, ela murmurou:


— Agora. Eu quero agora.


O conde sorriu, soltando as mãos de Beatrice e descendo o toque até segurar-lhe os cabelos. Parando com a boca à frente da dela, sussurrou:


— Agora, minha condessa?


— Hummm.... — ela ronronou.


O conde tomou os lábios de Beatrice, invadindo-os com a língua, enquanto a puxava de encontro à sua própria ereção. Quando percebeu que estava rendida, Ludwig puxou a frente do vestido da condessa para baixo e expôs seus seios generosos, tomando-os com a boca, sugando-os e apertando-os enquanto ajoelhava-se à frente dela.


Sem parar de enlouquecê-la, levantou as saias e abaixou a roupa íntima, subindo com as mãos por ambas as pernas da condessa. Ele a encarou e percebeu que Beatrice estava entregue. Sorrindo maliciosamente, levantou suas pernas, colocando-as sobre seus ombros, e posicionou-se à frente dela, que arregalou os olhos assustada com as possibilidades que aquela posição lhe despertava.


— Agora, condessa? — perguntou novamente.


Beatrice lambeu os lábios e prendeu-os com os dentes, agarrando os cabelos de Ludwig e puxando-os suavemente, pedindo que servisse o que prometia.


Ludwig rosnou alguma coisa que ela não entendeu antes de enfiar o rosto no meio das pernas dela e chupar, deliciando-se com os gemidos da sua futura condessa. As mãos de Beatrice puxaram mais os cabelos do conde, que a conteve presa entre seu rosto e a parede. Tomando-a com a língua em movimentos circulares, chupou o ponto mais sensível da condessa até que ela gozasse em sua boca.


Faminto, levantou e manteve as pernas de Beatrice abertas em sua cintura, circulando-o enquanto a beijava insanamente mais uma vez e insinuava-se nela, pressionando a ereção sobre a umidade quente de Beatrice.


Segurando as duas mãos dela novamente acima da cabeça, Ludwig encostou a testa na dela e sorriu, soltando-a devagar até que ela estivesse com as pernas no chão.


— Eu a amo — sussurrou, dando um beijo suave nos lábios de Beatrice, que apenas sorriu. — Mais tarde, nós continuaremos... Nossa casa está cheia demais — ele falou.


— Nossa? — Ela sorriu, ainda ofegando.


Ele a ajudou a se recompor e a abraçou, aguardando que a respiração dela voltasse ao ritmo normal.


— Ludwig? — Beatrice o chamou.


— Sim?


Ela olhou para os lados e não teve coragem de perguntar. Percebendo que a jovem hesitara, o conde se aproximou.


— O que houve?


— Não tem mais medo de que invadam Letzburg?


Ele suspirou e respondeu:


— Tenho.


— E por que convidou todas essas pessoas para virem aqui?


Acariciando o rosto da futura esposa, Ludwig se aproximou e beijou a testa dela.


— Porque, se você for feliz, eu conseguirei lutar contra o mundo inteiro.


Ela soltou o ar, sorrindo para ele.


— Eu o amo.


Ludwig ofereceu a mão para ela e levou-a até a portinhola que sairia no quarto onde estava hospedada, o quarto da condessa, bem ao lado dos aposentos do conde. Depois, voltou para o corredor e saiu em uma pequena saleta anexa ao Salão da Palavra, onde Otto o esperava com alguns outros nobres que objetivavam discutir assuntos políticos no único local onde poderiam falar livremente com o Conde Vermelho.


— Onde estava, Letzburg? Demorou demais a chegar — disse o grão-duque tão logo o rapaz apareceu na sala, entrando pela porta que levava à saleta privativa do conde.


— Eu tinha coisas mais importantes para fazer.


— Como o quê?


— Atender a um chamado da minha esposa.


— Vejo que não é mais tão durão, meu caro. A jovem o amoleceu?


Todos os outros homens riram e Ludwig serviu-se de um copo de cerveja, sentando em seu lugar à cabeceira e pouco se importando com as hierarquias. Passou duas horas ouvindo a nobreza prussiana reclamar das misérias de suas arrecadações, permitindo que seus pensamentos o acalmassem com a lembrança de uma Beatrice amolecida em seus braços na escadaria do castelo. O conde coçou os olhos, pensando em maneiras de transformar o pequeno corredor interno para que as costas da condessa não se machucassem nas paredes quando ele a tomasse em outras posições.


— E você, Letzburg? Não vai dizer nada? Vejo que está arrecadando bastante com suas terras?


— Minhas terras são produtivas, mas não há mais impostos. Meu exército tem seu próprio chão para plantar, colher e proteger sua família. Com isso, garantem a incolumidade do meu bem mais precioso.


— As fronteiras — disse o grão-duque com firmeza.


— A condessa — Ludwig respondeu.


O burburinho instaurado começou a incomodar o Conde Vermelho que levantou antes do fim da reunião e saiu da sala sem sequer cumprimentar os pares.


E que se danassem as etiquetas!


— Gente chata — sussurrou.


— Conde? — Otto, que corria atrás do pupilo, o chamou. — O almoço será servido. Já mandei avisar à condessa.


— Que horas é a bendita cerimônia?


— Logo depois.


— E essa gente vai embora quando?


— Alguns, amanhã. Outros, em alguns dias.


— Dias?


— Sim, meu caro. É comum acomodar os mais próximos por dias.


— Bom, os mais próximos não são aqueles que me amolaram no Salão da Palavra. Menos mal. E já está tudo preparado?


— Como a condessa nem imagina.


— Tão logo o padre diga amém, eu pego Beatrice e sumo — afirmou com certo alívio.


Otto suspirou.


— A condessa não vai nem aproveitar a festa?


— Ela vai ver a festa que faremos no quarto. Depois de uma ou duas horas, voltamos para a companhia agradável dos convidados.


— Precisa melhorar sua cordialidade, rapaz. Sua esposa é uma pessoa jovem, que gosta de música e...


— Não me amole, velho macambúzio. Minha esposa irá em todos os bailes que desejar, dançará todas as danças que puder me ensinar e será mais feliz do que qualquer outra mulher. Eu garantirei isso.


O conselheiro fez que não com a cabeça.


— E você conseguirá lidar com isso?


— Otto, eu lidei com meses da ausência de Beatrice. Todo o resto é fácil perto daquilo.


— Equilíbrio, meu rapaz. Casamentos são sobre equilíbrio e respeito.


Ludwig apertou os olhos para ele e virou, parando à porta — a porta conhecida por todos — do quarto de Beatrice.


— Ludwig? — Ela se assustou, corando imediatamente.


— Hora do almoço. Vamos?


Segurando a mão do conde, a noiva do Conde Vermelho parou à frente do enorme salão coberto onde seria servida a refeição.


— O conde de Letzburg e a senhorita Beatrice Schwartz, futura condessa de Letzburg.


A porta abriu tão logo o anúncio foi feito e a jovem, com os olhos cheios de lágrimas, notou que todos do salão voltaram-se para ela. Tão logo entrou, a quantidade de pessoas a fez arfar.


— Ludwig, de onde... — cochichou, interrompendo-se ao encarar a mãe. — Minha mãe? Ela veio.


— Mandei buscá-la na melhor carruagem de Letz. — Balançou a cabeça. — Bom, na segunda melhor. A melhor estava com você.


Beatrice sorriu e, empinando o nariz como fora ensinada a fazer, acompanhou Ludwig nos cumprimentos, tomando seu lugar à mesa ao lado do futuro marido.


— Nunca imaginei que veria tantas pessoas no meu castelo — Ludwig começou a dizer, para quem quisesse ouvir. — Mas acredito que a nova dona de Letzburg tenha me mostrado o valor das boas companhias.


Uma salva de palmas foi ouvida e, depois, todos começaram a comer.


Lentos demais, pensou Ludwig e batucou na mesa enquanto seus convidados serviam-se das melhores caças de sua floresta e dos melhores quitutes de suas cozinheiras.


— Não lembro de ser tão ansioso, Ludwig — cochichou Beatrice, colocando a mão sobre a dele para interromper o toctoc que ele fazia.


O conde sorriu para ela e se aproximou, cochichando em seu ouvido:


— Sempre teremos as escadas. — Piscou, fazendo-a corar novamente.


Duas horas depois, muitos barris de cerveja e galões de bebidas, os convidados foram encaminhados pelos criados para um salão aquecido por velas e tapeçarias, enquanto os noivos subiram para preparar-se.


***


Havia velas, havia flores trazidas do jardim de inverno da falecida condessa, havia um altar improvisado... E havia um conde muito nervoso.


Ludwig andava de um lado para o outro das margens da Lagoa do Abismo. Os pais de Beatrice e alguns poucos nobres observavam a impaciência do noivo e o padre, franzino e idoso, tentava utilizar sua experiência para acalmá-lo.


— Meu jovem, ela virá. É provável que a neve tenha atrasado a dama. Ela chegará em breve...


— Padre, concentre-se no seu discurso. Eu sei que ela vem. Eu só queria é que ela viesse logo para isso acabar rápido e eu poder levá-la para o quarto, onde demorarei bastante com ela.


— A senhorita Beatrice Schwartz — anunciou o mordomo com toda a pompa que pôde fazer.


A ansiedade de Ludwig tomou proporções gigantescas. Ela estava linda. O vestido com bordados verde-claro não tinha cauda, embora arrastasse a neve do chão, os cabelos presos para cima evidenciavam os lábios brilhantes como geleia e um pesado casaco de peles cobria seus ombros, sobrepondo-se às vestes e deixando a mostra apenas o colo.


Que colo!


De olhos arregalados, o Conde do Inferno engoliu em seco quando sua futura esposa caminhou até ele. Segurando as mãos de Beatrice, ele quase a beijou, sendo contido pelo toque gentil de Otto.


— Acalme-se. Está quase lá.


— Velho macambúzio! — Rugiu baixinho.


Beatrice sorriu e a cerimônia foi realizada da forma mais breve que os rituais permitiram. Assim que terminou, todos voltaram para o castelo e os recém-casados foram aplaudidos tão logo despontaram no alto da escada.


Velas, luzes, um pianoforte tocando, um salão cheio de pessoas elegantes interessadas apenas em vê-la descer acompanhada de um homem maravilhoso, tudo como Beatrice havia imaginado, não fosse a tremedeira nos joelhos e o pé fincado no chão... A condessa de Letzburg apertou o braço do marido, novamente temerosa quanto a aparecer em frente a tanta gente.


— Ludwig?


— Sim, meu amor?


— Eu não quero descer.


— Como? Achei que sonhasse com esse momento?


— Eu-eu estou nervosa. Eu não estou pronta. Eu...


— Querida, olhe para mim — ele pediu com gentileza, tocando o rosto da esposa para que o encarasse. — Eu estarei sempre ao seu lado.


***


— Beatrice, eu tenho mais uma surpresa... — disse o conde enquanto dançavam a quarta música juntos. — Você me acompanharia ao nosso quarto?


— Nosso?


— Sim. De hoje em diante, dormiremos juntos na nossa cama, no nosso quarto — se aproximou do ouvido dela e disse, quase ronronando: — onde eu a farei sentir prazeres indizíveis até para as damas cocotes de Paris.


— Oh! — Ela cobriu a boca com a mão.


Procurando deixar o salão através das pessoas da forma mais sorrateira que um homem enorme e assustador poderia fazer, Ludwig e Beatrice foram para o quarto. Parados na porta, o conde sussurrou:


— Desta porta para dentro, entre nós, tudo é possível.


Ela franziu o cenho e ele destrancou o quarto, que exibia uma grande mesa com frutas, queijos e vinho, iluminada apenas por candelabros de prata com múltiplas velas e decorada com orquídeas, além de uma cama alta com dossel, aquecida pela caldeira e ...


A condessa entrou, olhando para todos os lados admirada pela beleza de tudo. Naquele quarto, não havia fotos de condes e condessas, e sequer uma obra de arte. As paredes eram nuas, pintadas apenas com arabescos. Uma enorme tina de água aquecida borbulhava essências.


Ludwig entrou logo atrás da esposa e fechou a porta. Sobre a cômoda, uma caixa repousava. Voltando para o marido, ela perguntou do que se tratava:


— Seu presente de casamento. Quando você sentir minha falta — pegou a caixa e abriu, entregando a ela — abra e ela tocará.


— Ludwig, é magnífico!


Antes que ela soltasse o objeto, ele a puxou e beijou, derramando sobre a esposa todo o desejo daquele ano em que viveram as desventuras de descobrirem-se apaixonados.


— Eu a amo — repetiu incontáveis vezes, tirando a caixa de músicas da mão dela e colocando de volta na cômoda.


Beatrice também estava embriagada com o aroma de suor do marido e ocupou-se de despi-lo, tirando a casaca e o camisão. Um tórax marcado por músculos e cicatrizes, velhas e novas, enchia e esvaziava com rapidez, ansiando por ela. Desenhando as cicatrizes mais profundas, a condessa acompanhava a respiração descompassada de Ludwig, como um animal ameaçado e rendido ao seu dono.


— Eu sou seu, Beatrice, faça o que quiser comigo. — A beijou novamente.


As mãos de Ludwig, que antes abraçavam a condessa, assumiram a tarefa de despi-la e, em pouco tempo, o vestido de Beatrice estava aberto na frente. Ele tirou a parte de cima, deixando-a com o espartilho que marcava sua cintura, e sorriu com a proximidade da realização de algo com que vinha sonhando há meses. Soltando as amarras da saia, colocou a esposa parada à sua frente apenas de vestes íntimas.


Sem deixar de beijá-la, Ludwig tomou Beatrice em um abraço que a tirou do chão, levando-a até a cama, onde a deitou com delicadeza. A insegurança acelerou seu coração, que batia em um ritmo frenético e excitado. Com receio de fazer algo errado, ele hesitou.


— Eu sou sua, Ludwig — disse a condessa, insinuando-se para o marido e engatinhando até ele. Levando a mão às calças do conde, ela as desamarrou, permitindo que ele mesmo terminasse de tirá-las.


A ereção do Conde Vermelho quase roçou no rosto dela e a simples possibilidade de aquilo acontecer fez Ludwig gemer. Percebendo uma chance, Beatrice levantou a mão em um ritmo lento e torturante, até estar com o membro do marido apertado entre seus dedos. Ludwig fechou os olhos e tombou a cabeça para trás.


Sem saber como agir, Beatrice lambeu os lábios, instintivamente levando a língua à ponta do falo, deixando um rastro tímido de calor.


Ludwig abaixou e colocou-se sobre ela, procurando o colo da esposa e tocando-a, puxando-a pela cintura para mais perto enquanto a beijava com voracidade. Seus dedos brincaram com um dos seios de Beatrice enquanto a outra mão puxava a perna da esposa para abraçá-lo. Beatrice agarrou os cabelos de Ludwig e o apertou, gemendo contra a boca do marido, que brincava com a ponta do membro na entrada dela.


Sentindo a umidade, Ludwig começou a penetrá-la lentamente, percebendo que Beatrice o comprimia e apertava ainda mais. Enterrando as unhas curtas nas costas largas do conde, a jovem ia entendendo a dor e misturando-a ao prazer que o marido proporcionava, tocando seus seios, puxando seus lábios com os dentes, engolindo seus gemidos.


O conde estava perto de derramar-se nela antes mesmo de preenchê-la por completo. Então, saiu e entrou mais uma vez lenta e prazerosamente. Ludwig desceu a outra mão e levantou ainda mais as pernas da condessa, colocando-a em uma posição que permitiria a ele rebolar ao encontro dela. E foi isso que ele fez. Sempre beijando-a, Ludwig a penetrava, preocupando-se mais com os gemidos de prazer de Beatrice do que em evitar que ela sentisse dor. Ele sabia que a condessa sentiria o desconforto da primeira penetração e isto era inevitável. Então, ocupou-se apenas do prazer da esposa.


Quanto mais os sons de Beatrice se amplificavam, mais ele a beijava. Queria tudo de sua condessa só para ele. Ludwig, então, começou a pulsar dentro dela e temeu que o gozo não chegasse à esposa. Desceu os beijos e tomou os seios dela, sugando-os e mordiscando-os, fazendo-a gritar de alívio e prazer. Derramando-se dentro dela, exausto, caiu ao seu lado, puxando para o colo a sua Gräfin der Hölle.


— Ludwig? — ela o chamou.


— Hum?


— Eu não quero que você deixe de ser o Conde Vermelho...


Virando o rosto, ele a encarou:


— E por que está dizendo isso?


— Eu ouvi quando disseram que você enfraqueceu por minha causa.


Ele riu, passando a mão pela bochecha da esposa.


— É bom que pensem isso. — Deu um beijo na testa dela. — Mas a verdade, cá entre nós, é que você me deixou mais forte.